Ciro Espelocim
História de Vida
Ciro Espelocim nasceu em 15 de novembro de 1935, em Quarai, um pequeno município no interior do Rio Grande do Sul, na fronteira com a República Oriental do Uruguai. Descendente de espanhóis que vieram do Uruguai, Ciro passou sua infância imerso em histórias sobre o Cerro do Jarau e a Costa do Garupa, locais onde residiu com seus pais, Porfiria e Anécio, e onde exploravam lenha. Essas histórias eram frequentemente recheadas de personagens familiares, como seu avô Patrício, sua avó Bastão, seus tios João, Maurício, Nair e Derli, e um tio adotivo de apelido Catanga, que tinha um olho de cada cor e era sempre lembrado nas aventuras de campo.
Ciro iniciou seus estudos em Quarai, mas em 1948, buscando melhores condições de vida, seu pai decidiu mudar a família para Uruguaiana. A épica viagem de Quarai a Uruguaiana foi feita em um Chevrolet de quatro cilindros, que enfrentou diversas dificuldades nas estradas da época. A viagem durou uma semana devido a constantes reparos no motor, realizados com sola de couro nas bronzinas, que sofriam desgaste prematuro. Ciro e seu irmão Wilson ajudavam nos reparos, enquanto seus irmãos menores, Patrício e Eloí, permaneciam na cabine.
Em Uruguaiana, Ciro continuou seus estudos no Colégio Flores da Cunha, destacando-se em cálculos matemáticos devido à sua habilidade incomum. No entanto, a escassez de recursos financeiros o obrigou a abandonar os estudos no Ginásio. Trabalhou em uma oficina mecânica, serviu o exército e foi motorista até 1959, quando ingressou no Escritório dos Retalhistas sob o comando do Prof. Nelson Santana, que lhe deu a oportunidade de ingressar no setor contábil.
Ciro logo chamou a atenção por sua habilidade e, em 1960, ingressou no Banco Agrícola Mercantil S.A. como contínuo. De 1960 até meados da década de 1980, ocupou quase todas as funções no plano de cargos do banco. No início dos anos 80, foi promovido a inspetor para desempenhar funções de auditoria, mas preferiu permanecer em Uruguaiana, renunciando à promoção e assumindo a chefia da carteira de Crédito Rural.
Conhecido por sua habilidade em instruir e incentivar colegas, Ciro foi indicado na década de 70 para ser professor de Contabilidade no Instituto União, uma possibilidade que ele rejeitou na época. Apesar de sua carreira estar ligada a números e finanças, Ciro tinha a alma de músico e era um amante incondicional do choro, samba canção e bossa nova. Autodidata no violão, participou de rodas de violão até 1965 e, no final da década de 80, voltou a tocar acompanhado por Elton e sob a orientação do falecido Prof. Oscar Moncalves, conhecido como Peixinho.
Casado com Leleca, Ciro teve dois filhos, Deise e Elton. Deixou muitos valores pessoais, principalmente o amor, demonstrado por meio de renúncias, esforço e dedicação incondicional à família. Incentivou Deise a seguir seus interesses profissionais e a conhecer o setor agropecuário de Uruguaiana, o que foi a base para sua carreira de mais de 25 anos em eventos do segmento. Também ensinou contabilidade e violão a seu filho Elton.
Mesmo após uma dura amputação, Ciro continuou trabalhando até sua partida em 21 de março de 1995. Seu jeito discreto conquistou muitas pessoas, e ele deixou o mundo melhor sem pedir nada em troca. Sua vida foi um exemplo de humildade e dedicação, refletido na imagem de Ciro rezando no final do corredor do Hospital São Francisco em Porto Alegre.
Ciro Espelocim é lembrado com carinho e respeito, e sua história, marcada por virtudes e movimento, permanece viva na memória de sua família e amigos.
Recordações
Mural de Mensagens
Cadastre-se
Login
0 Mensagens
Feedbacks Inline
Ver todas as mensagens!
© Copyright 2024 – Todos os direitos reservados. Esta página ou qualquer parte dela não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa.
